Alùjá

REZAS

Cânticos e orações que expressam a raiz dos terreiros e da cultura de matriz africana do Rio Grande do Sul, em português e yorubá.

As rezas do álbum Alùjá são o coração espiritual do batuque gaúcho. Cada reza entrelaça português e yorubá numa trama de fé, memória e resistência, conduzida pelos toques sagrados dos terreiros. Abaixo, a sequência completa de cânticos que compõem a obra.

Reza 1

Abertura — Toque para a entrada dos Orixás

Reza de abertura que chama os Orixás para o terreiro. O toque do ilú anuncia a chegada das divindades, e a voz do alabê conduz a saudação inicial. A letra evoca a força dos ancestrais e a proteção do sagrado.

Epa Orixá! Epa baba mi!
Orixá oni yó wa ilê
Kosi iku, kosi arun, kosi ofo
Iba baba mi, iba yeye mi
Alujá, alujá, alujá!

Reza 2

Saudação a Exu — Guardião dos caminhos

Exu é o mensageiro, o dono dos caminhos e das encruzilhadas. Esta reza pede licença para que tudo ocorra com axé, removendo os obstáculos e abrindo as portas para a comunicação com o sagrado.

Laroiê Exu! Mojubá Exu!
Exu Odara, Exu Alaketu
Kó si ewu, kó si emi ojo
Exu ibá, mo juba o

Reza 3

Chamada a Ogum — O guerreiro ferreiro

Ogum é o Orixá do ferro, da guerra e da tecnologia. Esta reza invoca sua força para abrir caminhos, vencer demandas e proteger a comunidade. O toque acelerado evoca o avanço guerreiro.

Ogunhê! Patacuri Ogum!
Ogum Iara, Ogum Megê
Ogun Alará, alá ibó
Mo juba Ogum, mo juba o

Reza 4

Xangô — A justiça do raio

Xangô, Orixá da justiça, do trovão e do fogo. A reza clama por equidade e firmeza, lembrando o poder do machado de dois gumes e a sabedoria dos mais velhos.

Kaô Kabecilê! Xangô!
Xangô Agodô, Xangô Oba Koso
Oba arira, Oba ina mo juba
Xangô aláfin, edun ara

Reza 5

Oyá — A ventania das transformações

Oyá (Iansã) é a senhora dos ventos, das tempestades e dos eguns. Esta reza evoca sua força transformadora, que varre o velho para dar lugar ao novo, conduzindo as almas com coragem.

Eparrei Oyá! Oyá Bale
Oyá Igbale, Oyá Kanbielê
Afefé, afefé loju orun
Oya mo juba, mo dupe o

Reza 6

Oxóssi — A fartura das matas

Oxóssi, o caçador, Orixá da abundância e do sustento. A reza agradece pela caça, pela colheita e pela proteção das florestas, simbolizando a conexão com a natureza e a fartura do povo.

Okê Arô! Oxóssi!
Oxóssi Ibualama, Oxóssi Alaketu
Okê, okê, okê Oxóssi!
Mo juba o, mo juba o!

Reza 7

Yemanjá — A mãe das águas salgadas

Yemanjá, a grande mãe, rainha das águas. A reza é uma oferenda de amor e respeito, pedindo bênçãos para os filhos e filhas de terreiro, e lembrando a doçura e a força do mar.

Odoyá! Odofiaba Yemanjá!
Yemanjá Ogunté, Yemanjá Asesu
Omi, omi, omi Yemanjá
Mo juba o, mo dupe o

Reza 8

Oxalá — A paz do Alá branco

Oxalá, o pai maior, Orixá da paz, da criação e da pureza. Esta reza encerra o ciclo com um pedido de harmonia, brancura e serenidade, confiando o axé ao cuidado do Alá sagrado.

Epá Babá! Oxalá!
Oxalá Obatalá, Oxalá Orixá
Alá funfun, alá fin fin
Epa Babá, mo juba o!